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Dimensão humano-afetiva e comunitária

Os desafios encontrados ao longo de toda a vida são positivos justamente porque proporciona a ocasião para um amadurecimento e melhoria da realidade de cada um de nós.Todo projeto de formação deve ter em conta que o seu objetivo primeiro é a realização da pessoa, e que essa formação integra as diversas dimensões da vida do sujeito.

As diretrizes apresentam essa realidade da seguinte forma:“É necessário um projeto formativo do seminário que ofereça aos seminaristas um verdadeiro processo integral” (DAp 319). No processo formativo para a vida e a missão do presbítero, os três dispositivos pedagógicos fundamentais, isto é, familiaridade da casa, sucessão do cotidiano e presença do formador, recebem conteúdo, dinâmica e gradualidade adequada e permanente exercício das cinco dimensões antropológico-teológicas da formação, a saber: formação humano-afetiva, formação comunitária, formação espiritual, formação pastoral-missionária (cf. DMPB, nº 92 e) e formação intelectual (PDV 42). Essas dimensões da formação correspondem às exigências essenciais da identidade e missão dos presbíteros, ainda mais importante na atualidade, devendo ser definidas e integradas harmonicamente ao longo do processo formativo em um consistente projeto pessoal de vida. (DGFP 246)Os Seminários não são apenas casas de estudo, mas uma casa de formação da totalidade da pessoa, que proporciona espaços e meios para o desenvolvimento de todas as dimensões do formando. O enfoque é a formação total do candidato, e não apenas o desenvolvimento de uma dimensão, seja ela qual for.Quando consideramos a dimensão humano-afetiva é preciso levar em conta que, o seu subdesenvolvimento ou falta de amadurecimento compromete o desenvolvimento e exercício de todas as outras dimensões. As Novas Diretrizes afirmam o seguinte:“A evolução em uma das dimensões determina também o aprimoramento harmonioso e progressivo em todas as dimensões.” (DGFP 247)Essa afirmação oferece certa dificuldade, porque não é verdade absoluta que uma dimensão puxe outra em sentido positivo. Citamos como exemplo situações onde uma pessoa intelectualmente bem desenvolvida, apresenta grandes dificuldades para a vida comunitária, ou pessoas com grande virtudes no campo da espiritualidade, mas que apresentam dificuldades no campo da pastoral.A atenção do processo formativo deve portanto estar centrada na relação das dimensões, por isso todos os envolvidos no processo formativo – formadores e formandos – são sujeitos responsáveis por essa integração.A vocação para a humanidade, e para o desenvolvimento dessa humanidade, é o primeiro dom que a pessoa recebe de Deus. O desenvolvimento dessa vocação humana, e o seu desdobramento, é a verdadeira realização da pessoa. Portando a vida sacerdotal não é autentica se reprime um elemento desse processo. O padre não é padre porque nega um elemento da sua humanidade, mas o exercício autentico do ministério envolve o amadurecimento de todas as dimensões da personalidade humana. Essa responsabilidade com o desenvolvimento da vida humana é uma tarefa que acompanha o sujeito até o fim da sua existência, ela faz parte da formação permanente. É claro que esse processo vai sendo experimentado de formas diferentes, ao longo da vida, mas o conteúdo dessas experiências permanecem vivos na mente do sujeito. Na realidade a vida do homem está marcada pelo acúmulo de suas experiências vividas, sejam elas boas ou mas. A tomada de consciência dessa realidade, e dos sentimentos provocados por essas realidades, é o primeiro passo para iniciar um amadurecimento sádio da dimensão humano afetiva. Nesse processo de amadurecimento é no relacionamento e no diálogo que o sujeito aprende a ver de forma madura e objetiva o valor dessas experiências.No processo formativo, é no dialogo entre formador e formando, e do formando com os outros que essas experiências vão ganhando valor de experiências amadurecidas.O dialogo é fundamentalmente abertura para o outro – Deus, o formador, os companheiros de formação, os outros de forma geral. É nesse diálogo que a pessoa aprende a mediar o seu desejo e seus limites. O diálogo desenvolve os valores e seus sentidos, e é propriamente a partir dele, diálogo, que os valores serão assimilados e assumidos como próprios e não como realidades externas impostas por outro.É dado estatístico que um grande número de famílias, nos dias atuais, não seguem mais o modelo familiar tradicional. É fato, também, que os vocacionados que chegam hoje, para iniciar o processo de formação, são oriundos dessas famílias. Eles vêm carregados das conquistas e dificuldades humanas que são pessoais, familiares e sociais. Diante disso, duas perguntas se impõem:

  • Quem sou eu?
  • Vale a pena ser aquilo que sou?No processo de amadurecimento o que eu sou e aquilo que eu quero ser se confrontam no sujeito. Os números 60 a 63, apresenta os pontos da identidade do presbíteros:•    Na linguagem da Igreja Católica, o presbítero recebe vários nomes e é apresentado com várias imagens. Na Sagrada Escritura, dar nome aos seres equivale a designar sua identidade. Assim como “por imagens nos é dado conhecer a natureza íntima da Igreja” (LG 6), também por imagens pode-se conhecer a natureza íntima da identidade do ministro ordenado, como participante do ministério de Cristo, Mestre, Sacerdote e Rei (LG 1).  
  • Na tradição popular, o presbítero é chamado de padre. Ao receber o segundo grau do sacramento da Ordem, o presbítero recebe as potencialidades da paternidade espiritual e quando o bispo lhe confere jurisdição designa-lhe um povo, a fim de que venha a ser dele o pai espiritual, com a função de gerar, nutrir, educar, organizar e levar à plenitude uma comunidade do Povo de Deus.
  • Na Sagrada Escritura, aparece o termo presbítero, que designa o ancião, o adulto, já experimentado na vida, que se tornou sábio, mestre, conselheiro e guia. Aquele que recebe o segundo grau do sacramento da Ordem deve ser “mestre da Palavra, ministro dos sacramentos e guia da comunidade”, particularmente “pastor e guia da comunidade paroquial”[1].
  • O presbítero é verdadeiro sacerdote porque participa do sacerdócio de Cristo (LG 28). De fato, em virtude da ordenação, ele se torna um dom sagrado de Deus para o seu povo. Como “representação sacramental de Jesus Cristo” (PDV 15), o único e eterno mediador entre Deus e os homens, oferece sacrifícios pelo povo. Ele é “segregado para anunciar o Evangelho de Deus” (Rm 1, 1). Ele é, por excelência, o liturgo da comunidade e a reúne para o momento mais alto e importante de sua existência, a celebração litúrgica. “O caráter sagrado atinge o sacerdote em tal profundidade que orienta integralmente todo o seu ser e o seu agir para uma destinação sacerdotal. De modo que não resta nele mais nada de que possa dispor como se não fosse sacerdote, ou, menos ainda, como se estivesse em contraste com tal dignidade. Ainda quando realiza ações que, por sua natureza, são de ordem temporal, o sacerdote é sempre o ministro de Deus. Nele, tudo, mesmo o profano, deve tornar-se ‘sacerdotizado’, como em Jesus, que sempre foi sacerdote, sempre agiu como sacerdote, em todas as manifestações de sua vida”[2].

Essa identidade apresentada é uma identidade social – eclesial, institucional, e não propriamente pessoal. A identidade pessoal envolve realidades mais próprias do sujeito. É essa identidade pessoal resolvida e amadurecida que permite ao sujeito assumir uma identidade social sadia. O ministério sacerdotal exige esse nível de realização da identidade pessoal – amadurecimento humano afetivo – para ser realmente fecundo e verdadeiro. O presbítero precisa saber o sentido profundo de sua vida, na autoconsciência e na liberdade, para viver fecundamente o seu ministério.O presbítero é um ser afetivo, ele é carregado de sentimentos e precisa disso no seu ministério. Por isso a identidade pessoal precisa estar amadurecida, em função da identidade social-eclesial. 

O dom da vida nos faz marcados, também, pelo gênero, o modo masculino ou feminino, e esse modo determina a forma de relacionamento do sujeito com o mundo a sua volta. O ambiente que envolve a pessoa deve proporcionar o meio de desenvolvimento dessas potencialidades. Quando o ambiente é favorável, acolhedor o formando encontra a base para desenvolver sadiamente sua dimensão humano-afetiva. O ato de esconder-se é uma reação de medo, que cresce num ambiente de ameaça. O seminário é por principio um ambiente acolhedor, que deve gerar um clima de calor humano, que proporciona espaço e meios para o amadurecimento humano-afetivo.


 

Notas

[1] A Congregação para o Clero publicou, em 14 de agosto de 2002, documento sobre o Presbítero, designando-o como Pastor e Guia da Comunidade Paroquial.

[2] João Paulo II, Homilia na Ordenação Sacerdotal, Rio de Janeiro, 02 de julho de 1980.

 

Cadastro

destaqueCadastro Seminários e Institutos atualizem seus dados no cadastro da OSIB. O objetivo é conhecer onde estão localizadas as casas de formação, quem são seus responsáveis e de qual etapa formativa se encarregam.

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